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Infinitudes

Porque ser do contra, também ajuda na resolução dos problemas!

Infinitudes

Porque ser do contra, também ajuda na resolução dos problemas!

30.Mai.14

Lucidez

A noite está calma e clara.
A lua cai sobre a terra e ilumina-a com um clarão aconchegante.
Pelas ruas desertas apenas ouço os meus passos a misturarem-se com uma brisa que sopra na copa das árvores.
Caminho sem destino e sem rumo certo, nem mesmo consigo seguir a minha intuição. Intuição? Que é isso?
A caminhar pensativo, ou não, mas sem notar que a noite se transforma, a pensar, ou não, caminho. Sim, caminho e esqueço-me de tudo!
Perco-me num horizonte, que nunca existiu, em pensamentos sem pensar!
A noite, cada vez mais escura, dificulta-me a respiração, faz-me sentir medo. O cansaço apodera-se de mim. Sinto o corpo mole e desorientado enquanto que o meu caminhar deixa de existir. O luar deixou de iluminar e aconchegar a noite.
Sinto frio e uma escuridão espeça! Será que a noite escura e fria começa a cair sobre o meu corpo sem já força?
Espera! Estará mesmo o meu corpo nesta noite?
Mas como é possível já não ter lucidez para pensar!
E sentir?
Já não consigo sentir o sentir da noite por tão fraco me sentir!
Tento voltar!
Voltar? Mas voltar de onde?
Onde estou? Onde fui? Será que fui algum lado? Será que esta escuridão é a noite?
Mas que noite? Qual escuridão?
Já não sinto, já não penso.
Tarde demais. Estou perdido no deserto! Deserto de deserto, de vazio, oco sem nada mesmo.
Procuro nesse “deserto” a saída deste infinito!
Mas o certo que encontro, o que me rodeia, é uma imensidão de gente que não existe.
Corro, corro, corro em busca de auxílio até a fadiga se apoderar dos meus músculos!
Auxílio? Mas auxílio para quê? Afinal do que preciso?
Lembro-me um dia, ainda estudante, ter lido um texto onde um miúdo questionava o nome das coisas.
Cadeira? Porque não se chama mesa? Tristeza? Porque não alegria?
Questiono a mesma coisa. Porque sinto tristeza e não alegria? Quem foi que disse que este sentimento é tristeza?
Um filósofo? Mas porque carga d’água temos que achar que ele está certo?
E porque não, quando se diz que estamos tristes, não dizemos que estamos contentes, em eufórica alegria? Será que não nos sentiríamos melhor.
Contrariando o filósofo, estou num estado de eufórica alegria contagiante! Contagia o meu corpo e “alma?” de uma forma que me impute uma força tão grande de seguir o meu caminho!
Mas por outro lado, espelhando-me nesse “possível filósofo”, arranco da gravidade terrena a força possível, mas talvez não suficiente, para que nunca percebam que vivo na alegria filosófica que em tudo se identifica com a história do menino, e que ainda hoje recordo como sendo filosófica sem uma filosofia registada.